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Cooperativa de energia verde ganha programa inovação social da Schneider Electric

O projeto Coopérnico foi o projeto português vencedor desta edição, cuja missão é envolver os cidadãos e empresas na criação do novo paradigma energético – renovável e descentralizado – em benefício da sociedade e do meio ambiente juntando-se a 4 projetos de outros países.

O programa “Inovação Social para combater a pobreza energética” é uma iniciativa da Ashoka e da Fundação Schneider Electric, que conta com o apoio da Foundation de France em parceria com a Enel, cuja última edição foi lançada em meados de 2017 com o objetivo de identificar as 15 organizações mais inovadoras com projetos e soluções criativas para lidar com a pobreza energética e promover a sustentabilidade na Europa. No passado mês de maio, os vencedores da edição 2017-2018 reuniram-se em Roma para a Cimeira Final Europeia, na qual foram nomeados os 5 projetos com o maior impacto social, de 5 países diferentes, entre os quais se encontra o projeto português Coopérnico que tem como missão envolver os cidadãos e empresas na criação do novo paradigma energético – renovável e descentralizado – em benefício da sociedade e do meio ambiente.

Os 15 vencedores do programa são uma amostra, muito diversa, de inovadores sociais da Alemanha, Grécia, Itália, Portugal e Espanha, todos eles comprometidos numa luta contra a pobreza energética e a promoção da sustentabilidade nos seus países e na Europa. Os 15 vencedores participaram num processo intensivo de consultoria, de 12 semanas, que os ajudou a projetar uma estratégia efetiva para aumentar o seu impacto. Cada empreendedor social contou com o apoio de uma equipa de assessores e consultores qualificados, com um total de aproximadamente 300 horas de sessões de tutoria.

Durante o encontro em Roma, os empreendedores sociais apresentaram os seus projetos e os desenvolvimentos realizados durante as 12 semanas de acompanhamento e, posteriormente, tiveram a oportunidade de participar em quatro reuniões, individuais, com parceiros estratégicos que lhes forneceram feedbacks e sugestões sobre as suas estratégias.

Rita Marouço da Coopérnico, afirma que “Portugal tem o segundo preço mais caro da Europa, na compra de energia. Como cooperativa de energias renováveis, que alia à sua natureza social, o apoio a projetos de solidariedade, educacionais ou de proteção ambiental, é um orgulho para a Coopérnico estar no lote de vencedores dos melhores projetos a nível europeu para a Ashoka e para a Fundação Schneider Electric. Tentamos ter um papel na produção de energia nacional, através do desenvolvimento de projetos relacionais com energias renováveis, bem como, tentamos integrar mais energia renovável na rede elétrica portuguesa. Queremos continuar a construir um modelo energético renovável, justo e responsável que possa contribuir para um futuro social, ambiental e energeticamente sustentável.”

Durante o evento, a Fundação Schneider Electric e a Ashoka apresentaram, numa mesa redonda, as ações realizadas para promover a sustentabilidade e abordar a pobreza energética na Europa e onde se debateram as melhores práticas atuais, tendo como oradores: Gilles Vermot Desroches (Chief Sustainability Officer e General Delegate da Fundação Schneider Electric), Arnaud Mourot (Codirector da Ashoka Europa), Alessandro Valera (Director da Ashoka Italia), Bettina Mirabile (Enel, Sustainability Projects and Practice Sharing) e Marylin Smith (The Energy Action Project).

Os vencedores beneficiaram de incentivos financeiros e investimentos, competências técnicas e outras formas de apoio, em espécie, até um valor de 10.000 euros.

Os inovadores sociais vencedores foram:

  • De Portugal, Rita Marouço, da Coopérnico, uma cooperativa de energia verde que combina sustentabilidade, investimento ético e apoio social. Os seus membros investem, coletivamente, em projetos de energia solar que são propriedade da cooperativa e instalados nos telhados de organizações de apoio social, que muitas vezes lutam para conseguir cobrir os seus próprios custos energéticos.
  • De Espanha, Cecilia Foronda, Responsável de mudanças climáticas e energia da ECODES, uma organização que dirige o projeto “Nenhuma casa sem energia” que oferece uma solução tecnológica para superar a pobreza energética. Na sua página web, através de um questionário que permite avaliar a realidade social, de habitação e de controlo energético dos grupos mais desfavorecidos, é emitido um relatório, personalizado, com indicadores sobre como reduzir o seu consumo e custos energéticos. Também oferece um mapa interativo que permite a qualquer pessoa encontrar iniciativas e subsídios para lidar com a pobreza energética da sua zona.
  • Da Alemanha, Marlene Potthoff, Coordenadora do projeto Stromspar-Check” da Cáritas Alemã, uma iniciativa com a colaboração da Federação Alemã de Agências de Energia e Proteção Climática (eaD), que proporciona aconselhamento gratuito a agregados com baixos rendimentos na Alemanha, sobre como poupar água e energia. Ao sensibilizar para a poupança de energia a Stromspar-Check ajuda a prevenir cortes elétricos.
  • Da Grécia, Argyro Stavroulaki, Diretor adjunto da EKPIZO, uma associação de clientes, com o projeto “A qualidade de vida” para proteger os direitos dos consumidores e melhorar a sua qualidade de vida. O objetivo é estimular o governo e a Autoridade Reguladora de Energia a implementar a legislação nacional e da EU.
  • De Itália, Alberto Gastaldo, CEO da Energia Positiva, uma cooperativa que permite aos cidadãos converterem-se em prosumidores (produtores e consumidores) de diferentes sistemas de produção de energia limpa (por exemplo: fotovoltaica, eólica e hidroelétrica) e, portanto, diminuir os custos energéticos. O seu objetivo é proporcionar uma mudança na mentalidade dos consumidores, para adotarem um comportamento mais ecológico e alcançar uma massa crítica para a transição para as energias renováveis em Itália.

O segundo dia da Cimeira centrou-se, por completo nos inovadores sociais com o objetivo de criar e fomentar uma comunidade europeia de pessoas comprometidas numa luta contra a pobreza energética. Os representantes da Schneider Electric apresentaram o seu Programa de combate da pobreza energética e as diferentes ferramentas de suporte que estão à disposição dos inovadores sociais. De seguida, Marylin Smith da Energy Action Project (EnAct) apresentou o Observatório da pobreza energética da União Europeia e mostrou como criar uma comunidade europeia de empreendedores sociais focados nesta temática através das redes sociais. Por último, os vencedores da última edição mostraram os seus projetos e o apoio que receberam depois de terem sido selecionados. Por fim, Giulia Sergi da Ashoka Globalizer realizou um workshop sobre Smart Networking.

FONTE – bit.pt