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Dias de Energia Solar: o país que está ligado à corrente das renováveis

Em março deste ano a produção de eletricidade renovável foi superior 
ao consumo, um 
marco histórico
(Foto: GETTY IMAGES)

Portugal está no pelotão da frente na incorporação das fontes alternativas na rede energética nacional e quer continuar a dar cartas para um futuro que está já aí ao virar da esquina. Até ao arranque do EDP Open Innovation, acompanhe os “Dias de Energia” no site do Expresso e nas plataformas do grupo Impresa para estar a par dos melhores exemplos do sector. E do que pode fazer para estar na companhia deles. Resposta? Clicar no link no final do texto e candidatar-se.

Parece quase uma questão de filosofia new age, mas neste caso adequa-se como poucas: Portugal transmite boa energia? A acreditar nos dados disponíveis, a resposta aproxima-se de um sim sólido, com o país a ser “visto por muitos como um exemplo no que diz respeito à incorporação de renováveis na eletricidade”, segundo afirmou o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, ao Expresso. Importa agora perceber o que falta fazer para dar o próximo passo.

Claro que continuam a existir preocupações legítimas quanto às opções tomadas e ao ritmo de implementação de certas fontes, como a solar, por exemplo. Esta ainda só representa 2% da eletricidade produzida, valor baixo de acordo com o presidente da ZERO — Associação Sistema Terrestre Sustentável, Francisco Ferreira. “Não estamos a ver a potência renovável a crescer ao ritmo que seria mais desejável, sobretudo ao nível da fotovoltaica”, garantiu. Num país com as condições naturais de Portugal, a aposta nas renováveis é vista como um dos caminhos centrais para diminuir a dependência energética ligada aos combustíveis fósseis. Questões que ainda assim não invalidam o caminho percorrido nos últimos anos, e que nos colocam no pelotão da frente da utilização energética sustentável.

De acordo com os números mais recentes, Portugal foi o sétimo país da União Europeia com maior incorporação de renováveis no consumo, e em março deste ano, pela primeira vez, durante três dias, 100% da energia consumida vieram exclusivamente das renováveis. Um marco histórico num país onde, de acordo com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis, 54% das necessidades elétricas são produzidas através de centrais de energias renováveis, o que permite uma poupança superior a €700 milhões na importação de combustíveis fósseis, com impacto direto na crónica dependência energética. Em 2017, este situou-se nos 79%, o que representa uma redução face aos 88,8% de 2005 (o valor mais alto de sempre) mas uma subida em relação a 2016. Números ainda elevados mas que demonstram uma evolução no sentido certo. A que a sétima edição do EDP Open Innovation — programa de empreendedorismo do Expresso e da EDP — se procura associar com a procura de empresas com projetos de negócio inovadores no sector energético.

Aposta solar
“Portugal prepara-se para cumprir o seu desafio 2020, que passa por cumprir a meta de 31% de incorporação de renováveis no consumo de energia, a quinta meta mais ambiciosa da União Europeia”, conta Jorge Seguro Sanches, já a olhar para o futuro mais distante, nomeadamente, 2030. “Temos fortes argumentos para continuar a construir uma estratégia baseada nas renováveis”, diz. “Ficou definida uma meta de 32% de renováveis a nível da UE, mas sempre defendemos metas mais ambiciosas do que as estabelecidas”, garante. Fazendo eco das preocupações manifestadas por Francisco Ferreira, o secretário de Estado defende que a aposta do país deve passar “pela energia solar.” Como “o país da Europa com maior radiação solar”, estamos perante uma solução capaz “de dar continuidade à transição energética, sem onerar os custos da energia e os consumidores.” Por isso, o governante revela que foram autorizados mais de 1000 MW no regime geral relativamente aos 400 MW que existiam instalados em final de 2015.

Trabalho com reflexos também a nível local, como acontece em Fafe. Segundo o Carbon Disclosure Project, o município nortenho é uma de 100 cidades mundiais (e a melhor a nível nacional) onde mais de 70% da energia elétrica, face aos consumos verificados, provêm de fontes renováveis. “A produção atual de energia renovável assenta em 98% de base eólica e em 2% de base hídrica”, conta o presidente da Câmara, Raul Cunha. Situado “estrategicamente na rota de ventos caracterizada pela intensidade e regularidade” e tem aproveitado a concentração de equipamentos disponível na região. Aposta que passa também pela aquisição de veículos eficientes para a frota municipal, requalificação de edifícios, iluminação e educação ambiental. Pela redução da pegada ecológica também se promove a eficiência energética e o edil não tem dúvidas de que Fafe “continuará a apostar nas energias renováveis.” Em sintonia com o resto do país.

A INOVAÇÃO JÁ PASSA POR ELES

As startups portuguesas de energia apostam na disrupção para se destacarem no campo da sustentabilidade

São os novos atores do competitivo mundo da energia e têm trabalhado para introduzir soluções inovadoras que promovam a eficiência energética e respondam aos antigos problemas do sector. André Moura, CEO da Pro-Drone, defende que “os principais players precisam de soluções que os ajudem a baixar os custos e a gerir os ativos de forma mais eficiente”. A empresa desenvolveu uma novidade para a inspeção de pás de turbinas eólicas através de drones autónomos e já recolheu dados de mais de 700 turbinas e duas mil pás, tendo uma “presença forte em Brasil e Portugal”. Agora tem o objetivo de “incorporar inteligência artificial” para fazer análises não só nas turbinas mas também em painéis solares (a primeira foi feita já esta semana) e outras fontes.

A aposta de Portugal nas renováveis é propícia ao aparecimento destas startups energéticas, como a Addvolt. A empresa desenvolveu uma solução pioneira, “a primeira do género a nível mundial”, que permite “reduzir drasticamente o uso do diesel na refrigeração das mercadorias em camiões e reboques, tornando estes veículos mais ecológicos e silenciosos”, segundo o CEO, Bruno Azevedo. A Addvolt tem unidades a circular em Portugal e na Alemanha que “evitam a emissão de gases com efeito de estufa na ordem das dez toneladas por ano, por viatura”. Portugal é um país “pioneiro na área da mobilidade elétrica, mas falta-nos capacidade de produção e de escala”, defende Bruno Azevedo.

No campo da eficiência energética também a Jungle AI se está a destacar. “Utilizamos algoritmos de machine learning para percebermos qual é o estado atual e futuro de saúde dos ativos” industriais, diz Sílvio Rodrigues. O cofundador e CEO da empresa revela um projeto a ser desenvolvido que ajuda a planear o tipo de “manutenções em turbinas localizadas no mar”. Tempo e dinheiro que se sente no bolso do consumidor. “O aumento em 1% na eficiência da turbina traz muito valor para o mercado”, garante.

€50
mil é o valor do prémio 
para a equipa que o júri considerar ter o melhor projeto de negócio, valor 
a juntar aos €305 mil 
que o programa resultante da união entre o Energia 
de Portugal e o Prémio 
EDP Inovação já distribuiu 
ao longo das seis edições. 
As três melhores 
equipas ganham ainda 
um bilhete para 
a Web Summit 2018

O QUE É ESTE PROJETO
EMPREENDEDORISMO: O EDP Open Innovation é um programa de aceleração de startups que junta a EDP e o Expresso. É para empresas que já têm um projeto inovador — capaz de resolver um problema ou suprir uma necessidade no sector da energia — e pretendam evoluir para o êxito empresarial no mercado (global) depois da maturação no programa. Aceitam-se projetos de todo o mundo e nacionalidades, desde que submetidas a partir de três países: Portugal, Brasil e Espanha.

O QUE ESTAMOS 
À PROCURA
ENERGIA: Nesta sétima edição procuram-se projetos inovadores de energia limpa, redes inteligentes, armazenamento de energia, inovação digital e soluções focadas nos clientes que queiram atingir o próximo nível e possam fazer a diferença. É necessário apresentar uma equipa no mínimo de dois elementos e em que cada membro tenha, pelo menos 18 anos. Serão pré-selecionadas 30 equipas. Após uma fase de entrevistas vídeo, a lista será reduzida a 10 finalistas.

As inscrições já estão abertas. As candidaturas encerram a 10 de setembro. Em finais de outubro, após a aceleração, acontece o investment pitch. As três melhores equipas estarão presentes no Web Summit 2018. Saiba quais os requisitos necessários e preencha o formulário de candidatura NESTE SITE.

ACELERAÇÃO
O programa exige a presença, em Lisboa, das 10 equipas finalistas durante duas semanas em outubro (com deslocação e alojamento financiados). A aceleração será organizada pela Beta-i.

FONTE – expresso.sapo.pt