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Energia solar da central de Ourique vai ser vendida em Espanha pela Holaluz

Ser a vendedora em mercado da energia que sai da central solar de Ourique garantiu à Holaluz um contrato de abastecimento de eletricidade em Madrid

Tem o tamanho de 100 campos de futebol, 142 mil painéis fotovoltaicos, uma potência instalada de 46 MW (suficiente para abastecer 25 mil lares), uma capacidade de produção de 82 GWh por ano e é, para já, a maior central solar fotovoltaica da Europa. Inaugurada na passada quinta-feira em Ourique, no Alentejo, com pompa e circunstância e a presença do ministro da Economia, Caldeira Cabral, e do representante da Comissão Europeia Dominique Ristori, a central Ourika é também a primeira sem tarifas subsidiadas e está em produção desde o passado mês de junho, já a injetar energia renovável na rede.

Energia essa que será agora inteiramente vendida pela empresa espanhola Holaluz, que se assume como comercializadora de energia 100% verde no país vizinho. A elétrica garante que opera também em Portugal: “Tem licença para fazê-lo mas por enquanto atua apenas como agente de representação e não vende diretamente ao cliente final”, disse fonte oficial da Holaluz.

“A energia renovável gerada pela central será vendida no mercado grossista de eletricidade através de um Acordo de Representação com a Holaluz, empresa tecnológica de energia verde que opera em Espanha e Portugal”, explicou ainda a empresa ao Dinheiro Vivo.

Em comunicado, enviado ao Dinheiro Vivo após a inauguração da central, o grupo irlandês WElink Energy, proprietário do projeto, confirmou a parceria com a Holaluz enquanto “agente de mercado”. No mesmo comunicado, a WElink explica que a Holaluz é uma empresa criada em Barcelona em 2010, que vende aos seus clientes 100% de eletricidade provenientes de fontes renováveis: solar, hidráulica, eólica, biomassa e biogás. Os promotores da central de Ourika, que incluem o grupo China Triumph International Engineering, investiram cerca de 40 milhões de euros no projeto e concentram-se agora no próximo projeto em território nacional: a mega central de Alcoutim (com 221 MW, quase 5 vezes maior que a de Ourique), projetada para ser inaugurada apenas no terceiro trimestre de 2019, depois deste prazo já ter sido adiado várias vezes. O consórcio sino-irlandês tem como objetivo construir e operar mais de 1 GW de projetos de energia solar fotovoltaica no mercado ibérico até 2020. Com mais de 135.000 clientes no mercado espanhol, recentemente, a Holaluz saltou para as luzes da ribalta ao ter conseguido a adjudicação – num contrato de 82 milhões de euros, em que derrotou grandes grupos como a Acciona Naturgy, entre outros – de 3 dos 4 lotes do concurso público do Ayuntamiento de Madrid para o fornecimento de eletricidade de origem renovável aos edifícios municipais e outros equipamentos do município e organismos autónomos. De acordo com a Holaluz, a empresa que faturou 140 milhões de euros em 2017 compra diretamente a sua energia 100% renovável a 400 produtores espanhóis. E, a partir de agora, vai também passar a abastecer-se no solar português. “Contar com a energia produzida na central fotovoltaica portuguesa foi determinante para vencer o concurso público em Madrid. Ter garantido o volume de eletricidade suficiente como representante perante o mercado grossista permite um maior conforto no que diz respeito às necessidades de aval bancário, além de assegurar as garantias de origem renovável”, disseram fontes conhecedoras do processo citadas pelo jornal espanhol El Confidencial, que faz as contas e diz que a energia que sai da central Ourika é a equivalente ao consumo de 23 mil lares, ou seja, a quantidade suficiente para abastecer, deste julho, a procura do Ayuntamiento de Madrid. “Se não tivessem conseguido os direitos de venda da energia de Ourika, provavelmente não teriam podido participar” no concurso público de Madrid, refere outra fonte. Ainda de acordo com o El Confidencial, como representante de venda da energia da central solar portuguesa a Holaluz explica que não obtém vantagens no preço de compra, que está indexado ao mercado ibérico grossista. No entanto, os promotores do projeto decidiram construir a central em Portugal tendo em conta a vantagem competitiva de estar a apenas 80 quilómetros da fronteira. Isto porque em Portugal, refere o jornal espanhol, não existe o imposto de 7% sobre a geração de energia renovável como acontece em Espanha, desde 2012. A Holaluz confirma: “A central, em território português mas construída a uns escassos 80 quilómetros de Espanha, opera livre do Imposto sobre o Valor da Energia Elétrica (IVPEE), aplicável em Espanha, apesar das controvérsias. Este imposto agrava em 7% qualquer tipo de geração de eletricidade e favoreceu que em Portugal as centrais de energia solar fotovoltaica sem subsídios sejam competitivas antes que em Espanha”.

FONTE – dinheirovivo.pt