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PBH se prepara para utilizar energia solar e prevê economia de 25%

Sede do município terá usina fotovoltaica ainda neste ano; parque das Mangabeiras também contará com a iniciativa

Detalhe da fachada da sede da Prefeitura de Belo Horizonte, no centro. Prédio terá um novo ocupante a partir de janeiro do próximo ano

Prefeitura de Belo Horizonte prevê redução de 25% do consumo de energia com a instalação de usinas fotovoltaicas na sede
 Foto: ALEX DE JESUS – 5.5.2005

A conta de luz da Prefeitura de Belo Horizonte deve ficar mais barata. Usinas fotovoltaicas, que geram eletricidade por meio de energia solar, devem ser instaladas ainda neste ano na sede do município, localizada no centro da cidade, e no Parque das Mangabeiras, na região Centro-Sul.

O objetivo é tornar a capital mineira mais sustentável e eficiente e contribuir para o compromisso assumido de reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estufa até 2030.

O edital para a contratação da empresa que vai implantar o projeto no prédio da prefeitura deve ser publicado ainda nesta semana. A ideia é que a usina gere 65 kW/pico, em uma área ensolarada de 400 metros quadrados no telhado, o que corresponde a 25% da energia elétrica consumida pela prefeitura por mês.

Com isso, a conta de luz do prédio, atualmente na faixa dos R$ 40 mil, deve ficar R$ 10 mil mais barata, segundo o biólogo e assessor do gabinete da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Humberto Martins.

“Depois da instalação, a usina é homologada pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), que instala um relógio. A usina produz energia e lança na rede. Aos finais de semana, quando ninguém estiver consumindo, ela gera créditos que podem ser usado depois”, explica. O edital terá valor de R$ 300 mil, financiado pelo Fundo Municipal de Defesa Ambiental.

Já o Parque das Mangabeiras deve se tornar totalmente autossustentável e não vai mais demandar gastos com a conta de energia elétrica, que hoje custa R$ 15 mil.

O projeto prevê a implantação de uma usina fotovoltaica de 100 kW/ pico – o local ainda será decidido. Pode ser no estacionamento do parque ou no telhado do prédio da administração, no Parque das Águas.

Segundo Martins, o edital está sendo finalizado e vai custar R$ 400 mil, também do Fundo Municipal de Defesa Ambiental.

Eficiência

Segundo Martins, o período de recuperação do investimento, nos dois casos, é de três anos e oito meses, enquanto as placas fotovoltaicas têm garantia de 25 anos.

“É uma ação útil e, ao mesmo tempo, publicitária, de forma que a prefeitura divulgue a energia fotovoltaica na cidade. É uma energia limpa, sem emissão de poluentes”, defende Martins, ressaltando que Minas Gerais é o Estado com o maior número de usinas fotovoltaicas do Brasil.

As ações de sustentabilidade também valem pontos em organizações internacionais, como o CDP (Disclosure Insight Action), que opera um sistema global de divulgação para que investidores, empresas e poder público gerenciem impactos ambientais.

Buenos Aires é a única cidade da América Latina a ter nota A, e Belo Horizonte quer chegar lá – a capital mineira tem um B, conforme Martins: “Queremos alcançar o grau mais elevado de sustentabilidade”.

Energia solar. A primeira usina fotovoltaica da Prefeitura de BH foi instalada no Centro de Educação Ambiental do Programa de Recuperação e Desenvolvimento Ambiental da Bacia da Pampulha

Escolas municipais

Colocar energia solar nas escolas municipais de Belo Horizonte também está nos planos da prefeitura. No ano passado, o município fechou uma parceria com a Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a elaboração de um estudo, focado na Escola Municipal Herbert José de Souza, na região Norte da capital.

“Vimos que a luminescência estava abaixo do exigido, a escola estava mais escura do que o normal. Com a usina fotovoltaica, seria possível atingir o ideal, tornar a escola autossustentável e ainda gerar energia para mais duas escolas”, afirma Humberto Martins.

Segundo ele, o município busca financiamento para o projeto e mantém a parceria com a UFMG no intuito de criar projetos para outras escolas. “Temos 306 escolas municipais e, para a instalação de usina fotovoltaica em todas elas, precisaríamos de uma verba de R$ 40 milhões”, pontua.

Outro plano é implantar uma usina fotovoltaica no aterro sanitário às margens da rodovia BR–040. Um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) foi assinado para isso.

“A iniciativa privada vai fazer o investimento e implantar a usina. A prefeitura entra com o espaço e divide os lucros”, explica Martins. O projeto visa gerar 5 mW/ pico. O consumo de todos os prédios da prefeitura é de 28 mW/ pico por mês.

Tendência mundial

Para especialistas, a energia solar é uma tendência e tornou-se economicamente viável.

“É uma forma de energia renovável na sua produção, que gera energia limpa. Hoje, um sistema fotovoltaico residencial se paga em cinco anos, em média. O tempo de retorno do investimento é bastante inferior ao tempo de duração da placa”, explica a professora da Escola de Arquitetura da UFMG Roberta Vieira. “Há empresas capacitadas para a prestação do serviço”, completa.

A professora de engenharia do UniBH Elizabeth Ibrahim lembra que o Brasil tem a vantagem de ter alta radiação solar. “Nos países da Europa, praticamente tudo já é energia solar ou eólica. Nós precisamos investir mais nisso e informar às pessoas sobre a importância da energia alternativa”, pontua.

FONTE – otempo.com.br